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Organismo público responsável pela qualidade, inovação curricular e avaliação externa das aprendizagens no sistema educativo português.

Festa final dos Miúdos a Votos celebrou livros, leitura e participação cidadã

Miúdos a Votos 2026

A Fundação Calouste Gulbenkian recebeu, no dia 28 de maio, a festa final da edição de 2025-2026 dos Miúdos a Votos, iniciativa promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares que, pelo décimo ano consecutivo, desafiou crianças e jovens de todo o país a elegerem os seus livros preferidos.

Ao longo do ano letivo, alunos do 1.º ao 12.º ano participaram num processo eleitoral inspirado nas regras de uma eleição real: escolheram livros candidatos, organizaram campanhas, defenderam as suas preferências, foram a votos e contribuíram para a eleição dos títulos mais apreciados pelos leitores das diferentes categorias.

A iniciativa é aberta a escolas públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro, que lecionem os mesmos anos de escolaridade e tenham o Português como primeira língua, reforçando o papel da leitura na formação de crianças e jovens leitores, críticos, informados e participativos.

O projeto conta, desde a primeira hora, com parceiros que têm sido fundamentais para a sua afirmação e crescimento: a Comissão Nacional de Eleições, a Pordata e a Rádio Miúdos. Ao longo destes dez anos, estas parcerias têm contribuído para reforçar a dimensão cívica, informativa e comunicacional do projeto, aproximando os alunos dos procedimentos democráticos, da leitura crítica de dados e da expressão pública das suas escolhas.

A festa final juntou, na Gulbenkian, alunos, professores, professores bibliotecários, escolas e parceiros, num dia marcado pela alegria, pela criatividade e pelo entusiasmo em torno dos livros. A manhã começou com a receção das escolas e prosseguiu com várias atividades dinamizadas especialmente para os jovens participantes, entre as quais oficinas de teatro, ilustração e rádio, bem como um peddy-paper no jardim.

Antes da entrada no Auditório 2, teve ainda lugar a tradicional arruada, um dos momentos mais vibrantes da iniciativa. Com cartazes, palavras de ordem, ritmo e muita convicção, cada grupo voltou a defender o seu livro, mostrando que ler é também argumentar, escutar, participar e celebrar em conjunto.

Durante a tarde, o espetáculo final deu palco a algumas das 995 escolas participantes, com apresentações inspiradas em livros que marcaram esta edição. Contemplando dramatizações, testemunhos, momentos musicais e intervenções de alunos, a festa tornou visível o trabalho desenvolvido nas escolas e nas bibliotecas escolares ao longo de vários meses.

Em momentos de muito suspense, foram sendo abertos os envelopes e conhecidos os livros mais votados pelos alunos. No 1.º ciclo, venceu Não Abras Este Livro, de Andy Lee, seguido de Coelho vs. Macaco, de Jamie Smart, e de Trincas, o Monstro dos Livros, de Emma Yarlett. No 2.º ciclo, o livro vencedor foi A Avozinha Gangster, de David Walliams, à frente de Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling, e de Diário de um Banana, de Jeff Kinney. No 3.º ciclo, destacou-se A Criada, de Freida McFadden, com A Avozinha Gangster em segundo lugar e O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne, em terceiro. No ensino secundário, voltou a vencer A Criada, seguindo-se 67 Vozes por Portugal, de vários autores, e A Metamorfose, de Franz Kafka.

A edição deste ano teve também um significado especial: assinalou os 10 anos dos Miúdos a Votos. Para celebrar esta década de leitura e cidadania, Isabel Mendinhos e Cláudia Lobo, mentoras do projeto, foram entrevistadas por Laura Claro, jovem que integra a o projeto Rádio Miúdos, num momento dedicado à memória e ao percurso de uma iniciativa que tem mobilizado milhares de alunos em torno dos livros, da participação democrática e da liberdade de escolha.

Segundo Cláudia Lobo, os Miúdos a Votos nasceram da ideia de realizar uma eleição em que as crianças e os jovens pudessem escolher livremente os livros de que gostam, sem influência de adultos, programas ou prescrições exteriores. A responsável sublinhou ainda que o projeto cresceu de forma consistente e que as campanhas nas escolas se tornaram, ao longo dos anos, cada vez mais diversificadas, criativas e participadas.

Isabel Mendinhos destacou, por sua vez, a dimensão de cidadania associada à leitura, lembrando que “quando lemos, somos livres” e que “os livros são sempre um símbolo da liberdade”. Esta ligação entre leitura, escolha e liberdade tem estado no centro da iniciativa, que desafia os alunos a ler, a formar opinião, a defender argumentos e a participar num processo coletivo de decisão.

Ao longo da sessão, foram também entregues os prémios da Melhor Campanha, distinguindo as ações mais criativas realizadas pelas escolas fora do espaço escolar e valorizando a capacidade dos alunos para mobilizar a comunidade em torno dos livros.

Esta festa constitui-se como o culminar de todo um percurso coletivo em que, os livros entram em campanha, os leitores ganham voz e a biblioteca escolar se afirma como espaço de leitura, cidadania, participação e descoberta.

Publicado em 02 de Jun 2026

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